quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A ignorância

    Ignorância, substantivo pomposo, é um conceito que não deveria ter nenhum objeto ao qual indicar. Mas, hoje, novembro de 2016, com o resultado das eleições percebe-se que não há outro substantivo possível para tal fenômeno. As pessoas ignoram o que aconteceu nos últimos anos. Houve um trabalho ardiloso e permanente, um plano bem planejado e bem executado, regado a muito dinheiro. Aparentemente levaram ao solo a classe operária. Mas, parece que ela nem sabe disso, parece estar a ver novela, futebol e master chefe. Mas, uma coisa todos nós sabemos: trabalhar bastante para ganhar o dia-a-dia. E como há dias, eles não param de vir assim como o dinheiro não para de entrar nos bolsos dos não operários. São poucos e são ditos aqueles que dão empregos para operários; sem eles, nada ocorreria, afinal colocaram em risco todo o seu dinheiro, alguns alegam ser dinheiro de tantos anos de luta da família, Há alguma verdade nisto, mas muitos, a maioria, veio das sesmarias e de invasão e posse de terras. Poucos são de fato os fundadores. Mas, nem isto justifica o capitalismo; este é um regime econômico perverso, que se baseia em dois fatos que ele promete trazer em seu bojo, mas não entrega: livre concorrência e progresso. Talvez possa se dizer que progresso ocorre na vida dos capitalistas adquirindo patrimônio cada vez maior, numa situação melhor pode-se aplicar em erudição para si e família. Quanto a livre concorrência, nada tão violenta quanto uma briga de foice entre empresas: não há regras e nem ética. Agem para faturar mais, esperam, desta forma, aumentar também os lucros. Há escolas particulares que procuram nas regras do ENEM, por exemplo, brechas para encaixarem os seus resultados num tópico ou outro que lhes favoreçam e possam ser consideradas as melhores. O intuito disto não é mostrar ou fazer a melhor educação de fato, e sim, fidelizar seus alunos e aumentar o número de matrículas, ou a fila de espera para matrícula. Há uma crença que fundamenta este procedimento, além da manutenção do emprego e de manutenção ou aumento dos lucros; é a crença de que no mundo vence o mais forte, custe o que custar, agindo por qualquer método. Isto também é chamado de capitalismo selvagem, e os capitalistas sempre utilizam o argumento biológico darwiniano para fundamentar suas atitudes: a lei do mais forte, do mais apto.
    Claro que os fundamentos do capitalismo não são as promessas que os capitalistas fazem - livre concorrência e progresso -; estas são apenas peças de retórica para convencimento e adequação dos espíritos ávidos para venderem sua força de trabalho ao primeiro patrão que lhe abre as portas. O lucro é o fundamento. Claro é que esta é outra máscara, além da retórica de sedução. "Sair no lucro é coisa boa." Esta é mais uma expressão que ilude os incautos. A mais valia é que é de fato o fundamento do capitalismo. Pelas "leis do mercado", o preço de algum produto é estabelecido pelo mercado. E na verdade, este preço é estabelecido pelos custos calculados na ponta do lápis de modo que se minimize ao máximo os custos. Como os produtos primários são produtos de outros capitalistas, há limite para reduzir seus custos, que pressupõe a mais valia deles já embutidos. Portanto, a redução de custos cai sobre os ombros do "trabalhador em geral." Este significa o salário médio  de todos os trabalhadores. O salário mínimo tem como referência este salário médio. Quando entra um governo como o atual, procura-se achatar ao máximo possível o salário mínimo de modo a permitir um aumento considerável de lucro, no final das contas, um aumento da mais-valia.
     

domingo, 16 de outubro de 2016

Moto continuo

Minha teoria é a de que existe um modo de vida que predomina nas sociedades em geral na qual os cidadãos patinam no mesmo lugar. O que isso significa? É confortável ficar desfrutando permanentemente daquilo que nos sustenta, desde que nos sustente por um período no qual há um trabalho a ser feito. Faxina, chofer, taxi, carregador de caixas e de sacos de cimento; isto só para falar das profissões de baixa remuneração. As demais profissões, dependendo dos salários, são mais imutáveis. Estes ofícios sustentam não só o corpo e os corpos, mas, também sustentam ideias e visões de mundo. Mas, apesar deste meu discurso ter uma pretensão de universalidade há dissonâncias e perda de elasticidade nos raciocínios. Pois então vejamos: as pessoas em geral não perdem os seus empregos todas de uma vez, uma perde aqui outra perde ali um pouco mais tarde e em outros lugares.