Na falta do que fazer
Invento uma hora
Pra enrolar
Outra pra desenrolar
Invento o outro
Pra me reconhecer
Vejo o outro nascer
E assim, invento o que fazer.
Na falta do que fazer
Invento uma hora
Pra enrolar
Outra pra desenrolar
Invento o outro
Pra me reconhecer
Vejo o outro nascer
E assim, invento o que fazer.
Se você está entendendo
Não é poesia
O raciocínio aprisiona a viagem
São regras bem definidas
Que fecham as portas e janelas
Amarram as asas
Comprimem
Impedem as lágrimas
Ironicamente disse a razão:
"O choro é livre"
Sentei-me num bar no mercado
Abri o bloco de notas do celular
Pedi uma cerveja
Já estou na décima
E até agora nenhuma linha,
Dedilho a mesa preocupado
Com a falta de assunto
E, mais um copo.
E assim, de copo em copo,
Vou enchendo o vazio