Creio que quando demos por nós mesmos em algum momento da "história dos humanos", transformamos urros, berros em palavras e gestos propositais. Talvez para não chamar a atenção de algum predador ou algum inimigo. Ou talvez para minimizar para os observadores a expressão de dor. O caso é: foram inventadas várias palavras e expressões para lidar com o mundo e com os outros companheiros de viagem, ou interlocutores. Nunca, neste momento, pensou-se em estado interno, mente, alma ou espírito.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
"Jonas" de Sellars - II
"No momento do nascimento de Jonas os três estágios já tinham acontecido. Graças a isso, ele se encontrou em condições de enriquecer mais ainda a linguagem de sua comunidade, fazendo-a avançar para uma nova etapa. O ponto de partida está num problema que desperta a curiosidade de Jonas e o motiva a buscar uma explicação. Ao comunicar-se com seus conterrâneos através da linguagem comportamental devidamente enriquecida pelos procedimentos mencionados, Jonas se dá conta de que eles agem com inteligência não só quando estão falando mas também quando estão calados. Para explicar isso, ele faz a suposição de que, nesse último caso, as pessoas devem estar sendo guiadas por alguma entidade interna silenciosa.
Para entender esse tipo de entidade, Jonas utiliza a única coisa que tem à sua disposição: o modelo do comportamento verbal manifesto dessas pessoas. Assim, ele teoriza que, mesmo caladas elas devem estar falando dentro de si mesmas. A essa fala interior ele denomina pensamento, introduzindo assim uma nova expressão teórica na linguagem de sua comunidade. O pensamento é uma entidade teórica porque, embora não corresponda diretamente à descrição de um comportamento linguístico observável, pode ser inferido com base nas descrições do comportamento inteligente das pessoas caladas. Isso permite uma verdadeira revolução na linguagem da comunidade. Por exemplo, a pessoa A observa a pessoa B e pode ter evidência comportamental para dizer: B está pensando que chove. Além disso, a pessoa A pode observar a si mesma e dizer: estou pensando que chove." Paulo Margutti. Revista Mente. Cérebro e Filosofia 9
Para entender esse tipo de entidade, Jonas utiliza a única coisa que tem à sua disposição: o modelo do comportamento verbal manifesto dessas pessoas. Assim, ele teoriza que, mesmo caladas elas devem estar falando dentro de si mesmas. A essa fala interior ele denomina pensamento, introduzindo assim uma nova expressão teórica na linguagem de sua comunidade. O pensamento é uma entidade teórica porque, embora não corresponda diretamente à descrição de um comportamento linguístico observável, pode ser inferido com base nas descrições do comportamento inteligente das pessoas caladas. Isso permite uma verdadeira revolução na linguagem da comunidade. Por exemplo, a pessoa A observa a pessoa B e pode ter evidência comportamental para dizer: B está pensando que chove. Além disso, a pessoa A pode observar a si mesma e dizer: estou pensando que chove." Paulo Margutti. Revista Mente. Cérebro e Filosofia 9
"Jonas" de Sellars - I
"Jonas vive numa comunidade que fala uma linguagem exclusivamente pública, baseada em eventos públicos. Antes do nascimento de Jonas, a linguagem dessa comunidade passou por pelo menos três estágios. No primeiro deles, as pessoas se comunicavam fazendo referência exclusivamente a objetos espaço-temporais públicos. Não havia verbos psicológicos, como pensar, querer, sentir, significar etc. Se alguém estivesse com medo - e isso poderia ser publicamente comprovado colocando-se a mão do ouvinte no peito do falante. No segundo estágio, a linguagem foi enriquecida com a introdução de termos semânticos como quer dizer, significa, verdadeiro, falso. A partir de então, as pessoas podiam dizer que água significa líquido inodoro e incolor e que a proposição chove, enunciada quando está chovendo, é verdadeira. No terceiro estágio, a linguagem foi enriquecida de modo a permitir a distinção entre expressões teóricas e observacionais. Até aqui, as pessoas se comunicavam por meio de descrições diretas do comportamento observável e para isso utilizavam termos observacionais. Como exemplo desse tipo de termo, temos a palavra Sol, que é usada para descrever os comportamentos diretamente observáveis do astro designado por esse nome. No novo estágio, porém, as pessoas tornaram-se capazes de introduzir expressões novas, mais sofisticadas, que, embora não correspondam diretamente a descrições de comportamento observável, podem ser inferidas a partir dessas mesmas descrições. Com isso, elas criaram os termos teóricos. Essa distinção é metodológica e não ontológica, pois tem a ver apenas com o tipo de acesso linguístico que temos aos objetos descritos por essas expressões. Como exemplo de termo teórico, podemos citar a expressão centro de gravidade do Sistema Solar: não podemos observá-lo diretamente, pois ele deve estar próximo ao centro de gravidade do Sol e não temos como chegar lá; mesmo assim, os comportamentos do Sol e dos planetas do Sistema Solar nos permitem inferir a existência desse centro de gravidade." Paulo Margutti, Revista Mente. Cérebro e Filosofia 9
Cérebro e mente
Se a mente não existe, quer dizer que não pensamos? Claro que não é este o caso. A pergunta é: para pensar precisamos da mente, assim como para beber água precisamos da boca?
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Filosofia da Mente e Cérebro
Interessante é a associação da mente ao cérebro. Primeiro, é necessário saber se de fato existe mente e segundo, se ela existe, se está relacionada com o cérebro. O que é interessante é a percepção que temos do lugar de onde pensamos. Durante muitos anos sentir algo estava, na linguagem, relacionada ao coração, será que havia tal sentimento do mesmo modo que há com o ato de pensar?
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Filosofia da Mente - III
Quando tratamos de filosofar todo o cuidado é pouco durante a caminhada. Muita bobagem pode ser dita. A linguagem permite muitas coisas como por exemplo "beijo o teu coração". Além de literalmente ser horroroso, metaforicamente é muito pobre. Esta tal de língua que nos permite dialogar é a mesma que nos traz Hidra, o monstro de sete cabeças. Portanto, todo cuidade é pouco, podemos ser engolidos e triturados por sete cabeças vezes sete.
Filosofia da Mente - II
Seria cabível a pergunta: existe o corpo? Parece-nos tão óbvio que ele existe que é um contra - senso formular tal pergunta. Mas, quando se pensa no assunto "Filosofia da Mente", é necessário não esquecer de nenhum item que possa levar à compreensão do que seja "mente".
Filosofia da Mente - I
Este nome já está definindo algo? Existe a mente? Creio que não é este o caso. Há que se conceder à linguagem e às comunidades que estudam este tema uma chance de ficarmos falando sobre "a mesma" coisa. E é um assunto complexo. Misturam-se vários temas e várias disciplinas. E é grande o número de pessoas que tratam desse assunto. Se se quer tranquilidade de "espírito", aceita-se o dualismo e vamos orar para aprimorar a mente (ou a alma). Vamos contentar Santo Agostinho.
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