"O pragmatismo é uma espécie de ponto médio, colocado entre duas correntes filosóficas mais ou menos bem delineadas. De um lado, a filosofia especulativa, própria de vultos como Whitehead, Bergson e Croce; de outro, o pensamento voltado para as minúcias, o "rendilhado filosófico", próprio de um Moore ou de um Wittgenstein. O pragmatismo situa-se entre os vôos mais arrojados da metafísica e os mots justes dos lógicos.
Em verdade, o próprio (William) James deixa pintada a situação, ao distinguir os pensadores tender-minded dos pensadores tough-minded, ou seja, os filósofos que se caracterizam como intelectualistas, otimistas, idealistas, religiosos, dogmáticos e racionalistas (que se guiam por "princípios") dos filósofos que seriam pessimistas, fatalistas, a-religiosos, céticos, pluralistas, materialistas e empiristas (que se guiam por "fatos"). O pragmatismo, segundo James, constituiria ponto intermediário aceitável, sendo uma corrente de idéias destinada a satisfazer adeptos das duas posições externadas - não deixando de lado a religião, mas nunca perdendo de vista "os fatos" e, assim, evitando os excessos do rígido pensar científico.
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Pragmatismo, em linhas gerais, pode ser entendido como tentativa do esclarecimento das ideias.
Esta, aliás, a sua maior contribuição para a filosofia contemporânea: procurar conduzir para o terreno da análise filosófica as técnicas de investigação experimental, típica da física e da biologia.
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Erra, portanto, Bacon, ao sustentar que o conhecimento deriva da experiência, entendendo-a em termos de sensações distintas, sem cogitar do papel que o espírito desempenha na atividade preliminar de seleção, comparação e discriminação. Os dados da ciência não são "oferecidos" ao espírito receptivo (e passivo), mas são encarados sob um prisma peculiar em que não é pequena a intervenção do controle e da análise experimental.
De outra parte, erra Descartes, quando sustenta que o conhecimento consiste apenas de ideias "claras", pois isso tornariam legítimas as conclusões obtidas pelo espírito atento,sem que para sua validade contribuísse o teste empírico - umacoisa é a clareza das ideias e outra coisa é a validade dessas ideias." (PEIRCE, Charles, Sanders, Semiótica e Filosofia , Textos escolhidos, Editora: USP, 1975, p. 20)
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