Se por acaso você estivesse diante de uma pessoa sem qualidades, com poucas habilidades, talvez fosse alguém que passou a vida em branco. Poderia ser chamada de idiota, talvez ignorante. As narrativas não podem ultrapassar o tempo presente assim como não os limites impostos pelas poucas sinapses de quem escreve. Esse é o meu caso. Cabeça pequena, poucos neurônios, poucas sinapses, e muita ilusão. Assim descrito ficou fácil de me identificar: "louro, baixo, moreno alto". Um poço de contradições.
Mas, era isso que eu queria: ser nada; e, consegui. Precisei atingir a idade de 70 anos para concluir que nunca terei uma ideia nova em filosofia, matemática ou ciências. Apesar de ter sido professor, creio que enganei a todos, a final, só expus meus sentimentos. Se alguém percebeu, deveria ter bastante juizo.
Mas, as tarefas continuam! O processo de queima do corpo exige um diligenciamento constante. A menor ação é eliminar a sujeira, a segunda é vestir algo limpo; de preferência uma roupa leve, uma sandália e uma bandana, a terceira ação é limpar o resto; aí sim, a alma fica lavada. Mas, também o tilintar dos talheres se chocando, o barulho da água caindo para tirar o sabão que tira a sujeira, enquanto se pensa em como lavar a alma. A felicidade é o resultado de se lavar a alma, portanto, lavar talheres é um caminho para a felicidade. Como felicidade é ausência de dor, lavar talheres é ausência de dor. Sem metas, regras ou coach, chega-se à felicidade com a simples atitude de lavar talheres que visa tirar sujeiras impregnadas. A falta de uma situação que permita um jogo de linguagem inviabiliza o relacionamento de uma comunidade com outras. Talheres limpos de quem e para quem? Eles foram usados, sem eles se comeria com a mão ?
Este texto é escrito do jeito que vem à cabeça: reverberando a verborreia: um texto detalhoso, ou seja, veio a imagem, uma experiência: vem a escrita tentando detalhar o que sentiu, o que pensou. Prazer ou dor ou indiferença ou algo que fica flutuando em algum lugar da "memória" aguardando ser resgastado.
É de ficar com medo, pois agora eu vou pegar o que eu paguei pra'aquele menino e vou lançar na planilha. Vou guardar tudo ali e correr com as coisas, pois vou ter que cortar o cabelo.Quando está grande parece "cabelo enstein". Apesar de ser confundido com "o cientista" que traz uma vaidade a mais, seria muito bom. Mas, como quero ficar livre de todas as vaidades, esta não é boa para os meus propósitos. Antes de morrer, meu pai disse: _ que absurdo! Ele expressou algo que sentiu com profundidade, eu estava lá na hora e ouvi com um certo susto, que até hoje me vem a memória. E de vez em quando eu me pergunto, absurdo o quê? Teria ele sentido a proximidade da morte, teria ele tentado evitar, e sem conseguir escapar do túnel da morte? Ou, até tentado avisar a mim: proteja-se!
Estes são os relâmpagos que vêem sem avisar. Afinal, eles são os própios avisos que gatilham o raciocínio e induzem as mãos e os dedos a escrever.
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