segunda-feira, 2 de maio de 2022

O gato deu o tom desta conversa

 A dentada do gato foi bastante forte. Já faz doze dias e até agora dói. Foram três doses de antirrábica (falta uma dose), sete dias de antibiótico e quatro dias de remédio para dor. Agora, quando dói, é gelo no local mais afetado. Arranhões foram nas duas mãos. O maior problema é o fato de que a pele da mão é bem próxima do osso, então, tanto nos arranhões quanto na mordida os ossos são atingidos e a infecção é bem provável de acontecer. Isso tudo aconteceu devido a um gesto altruista. Para salvar o gato das bocas de quatro cães da raça tombalatê (leia-se viralata) puxei o rabo do gato e numa reação imediata, cravou os dentes na minha mão e as unhas por vários lugares. Naturalmente o que seria uma carnificina com sangue de gato foi um derramamento de sangue das minhas mãos.

   O gato entrou na garagem pelo muro atrás das rolinhas que moram lá. Não conseguiu nada, pois rolinhas voam. Também não conseguiu voltar pelo muro Atravessou a casa e no quintal  encontrou os tombalatês.
   Esta história não é ficção.

sábado, 26 de março de 2022

sábado, 4 de dezembro de 2021

Pós pandemia


Justo retorno às farras
De um corpo enterrado sob pedras de granito
Justo grito
Ao mudar de hábitos
Recomeçando novos ritos
Reescrevendo com um novo olhar
Cada respiração
Cada passo
Nas intenções do laço
Uma nova pegada
Um sorriso novo
De velho já chegam os sulcos na face
As ideias de túmulo
Plasmando sobre folhas secas
Já chegam ...
Já chegam ...
Já chegam.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Idoso

 Dizem que é a melhor idade

Bem mais falso que a falsidade.

Uma dor no olho, outra no ombro,

Outra que eu escondo.

Minha dor é maior do que a que  você sente.

No dente, no braço,  na junta, no ventre.

Não é a última fase, não pode ser. 

Ter este corpo enviesado, contra o espaço,  

No contratempo dos objetos contundentes,

Que insistem em se chocar contra este frágil caniço. 

Tomara que não seja só isso.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Fugaz


F   U   G   A   Z


                           Não  havia  flores
                                             nas  jardineiras  cinzas
                                                   defronte  a  casa  azul

                           Não  havia  jardineiras
                           Não  havia  cinzas
                           Não  havia  casa
                           Não  havia  azul

                           Havia  seus  olhos   
                                             carregados  de  chuva.

Flávio - ISDP 2020.001.08

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Palavras