sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Filosofia: o mundo das interrogações


Na próxima semana a aula será um debate sobre 'atitude filosófica', 'curiosidade' 'atenção' e as principais perguntas que afligem a todos que estarão no debate.

O recurso estético será o video clip da banda 'The Black Eyed Peas' cantando Where is the love ?
Para ver o clip:
http://www.youtube.com/watch?v=ojpbOJjrGBQ

Where is the love ?
"O que está errado com o mundo mamãe?
As pessoas vivendo como se não tivessem mães
Acho que o mundo todo viciou-se no drama.
Apenas atraindo coisas que trazem trauma.
Olha só, a gente tenta parar o terrorismo
Mas ainda temos terrorismo vivendo aqui.
Em os EUA, a grande cia.
O sangue e os Crips e os KKK
Mas se você só tem amor pela sua própria raça,
Então só sobra espaço para discriminação.
E quando você discrimina, você só gera ódio.
E quando você odeia, fica mais irado.
Yeah
Loucura é o que você demonstra.
E é exatamente assim que a raiva funciona.
Cara, você tem que deixar o amor seguir
Tomar controle da sua mente, e meditar
Deixe sua alma levitar para o amor...
Pessoas matando, pessoas morrendo.
Crianças feridas e você escuta o choro delas.
Você pratica o que você prega
E daria o outro lado para bater
Pai, pai, pai nos ajude.
Envie alguma luz dos céus.
Por que as pessoas andam me perguntando.
Cade o amor?
Cade o amor?
Cade o amor?
Cade o amor?
O amor, o amor.
Toda vez e a mesma coisa, nenhuma mudança
Os novos dias são estranhos, estará o mundo insano?
Se o amor e paz são tão fortes
Porque as peças do amor não se encaixam
Paises jogam bombas.
Gases químicos enchem os pulmões dos pequenos.
Que vão sofrer pois sua infância morre cedo.
Então pergunte a si mesmo, o amor realmente se foi?
Então eu poderei perguntar pra mim mesmo, o que realmente esta acontecendo de errado?
Nesse mundo que vivemos pessoas guardam mais do que dão.
Tomam decisões erradas, apenas visando seus dividendos.
Sem respeitar um ao outro, negando seu irmão.
Uma guerra que surge, mas a razão é encorberta.
A verdade é mantida em segredo, varrida para debaixo do tapete.
Se você não conhece a verdade, nao pode conhecer o amor.
Onde estará o amor? vamos lá! (eu não sei)
Onde estará a verdade? vamos lá (eu não sei)
Onde estará o amor?
Pessoas matando, pessoas morrendo.
Crianças ferias e você escuta o choro delas.
Você pratica o que você prega
E daria o outro lado para bater
Pai, pai, pai nos ajude.
Envie alguma luz dos céus.
Por que as pessoas andam me perguntando.
Cade o amor?
Cade o amor?
Cade o amor?
Cade o amor?
O amor, o amor.
Eu sinto o peso do mundo nos meus ombros.
Enquanto envelheço, pessoas ficam cada vez mais frias.
Muitos de nós so nos preocupamos com fazer dinheiro.
O egoismo está nos guiando para a direção errada.
Informações erradas mostradas pela media.
Cujo critério é de imagens negativas.
Infestando a mente dos mais jovens mais rápido do que bacteria.
As crianças querem agir assim como elas veem no cinema.
E ai, o que aconteceu com os valores de humanidade?
O que aconteceu com a igualdade?
Ao inves de espalharmos amor estamos espalhando desanimo
Brechas de conhecimento deixando vidas longe de uma unidade.
É por isso que as vezes eu me sinto mal.
É por isso que as vezes eu me sinto pra baixo.
Eu não teria por que ficar me sentindo mal.
Tenho que manter minha esperança viva, até que o amor seja encontrado.
Agora pergunte para você mesmo!
Cade o amor?
Cade o amor?
Cade o amor?
Cade o amor?
Pai, pai, pai nos ajude.
Envie alguma luz dos céus.
Por que as pessoas andam me perguntando.
Cade o amor?
Uma guerra"


1º A partir da música, pedirei aos alunos que identifiquem o que há de mitológico e o que há de realidade na letra.
2º A partir da letra da música, irei introduzir a reflexão sobre o conceito 'amor' em confronto com o conceito 'violência'. Esta reflexão visa atender a um dos itens programados para a etapa: 'a invenção do conceito'.

Mitologia e Filosofia IV

Na aula desta semana trabalhei com os alunos a resposta à pergunta feita pela UFMG.

Trecho 1: conhecimento mitológico
Trecho 2: conhecimento filosófico (neste caso a resposta pode ser também conhecimento científico pois, a filosofia de Aristóteles tratada no livro citado refere-se à natureza).

Caracterização do trecho1: O conhecimento mitológico é expresso por uma linguagem que relaciona a natureza e os deuses; ela mistura dois mundos: o mundo onde se vive e o mundo onde se imagina uma explicação para os fenômenos que ocorrem no mundo que se vive; conhece-se uma explicação para os fenômenos que transcende o mundo em que se vive.
Caracterização do trecho 2: o conhecimento filosófico é uma linguagem que expressa um só mundo, o mundo onde se vive; a explicação é coerente, pertinente e imanente. Esta linguagem é também chamada LOGOS (palavra grega). Na linguagem filosófica não aparecem divindades ou qualquer recurso que ultrapasse a natureza (ou realidade)


Exemplos:
1º A Caixa de Pandora e o mito de Adão e Eva para explicar o surgimento da morte.
2º O mitema de Eco para explicar o surgimento do eco.
3º O mitema de Narciso para explicar o surgimento da flor de narciso.

Para pesquisar e conhecer mais sobre Mitologia:

http://www.mundodosfilosofos.com.br/mitologia.htm


http://psicoforum.br.tripod.com/index/artigos/mito1.htm

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Mitologia e Filosofia III

Na segunda semana de aula, abordamos o tema 'Mitologia e Filosofia' de modo diferente, se na primeira semana contamos uma história para despertar o interesse dos alunos, na segunda semana passei no quadro uma questão que caiu no vestibular da ufmg/2001, onde questiona sobre os modos de conhecimento mitológico e filosófico; eis a questão:

UFMG - 2001
QUESTÃO 05
Leia estes trechos:
TRECHO 1
Terra primeiro gerou igual a si mesma
Céu constelado, a fim de cobri-la toda ao redor
e de que fosse aos deuses venturosos sede segura para sempre.
E gerou altas montanhas, belas moradas das deusas
Ninfas que habitam as montanhas frondosas.
E gerou também a infecunda planície impetuosa de ondas,
o Mar, sem desejoso amor.
HESÍODO. Teogonia, vv. 126-132.

TRECHO 2
A água envolve a terra, tal como ao redor daquela encontra-se a esfera de ar e, ao redor desta, a esfera dita de fogo [...] por outro lado, o sol, movendo-se do modo como ele o faz, produz as mudanças da geração e da corrupção e, por causa disto, a água mais leve e mais doce é aspirada todo dia e, uma vez dividida e vaporizada, é transportada para a alta atmosfera; lá, ela é novamente condensada por causa do frio e desce então, mais uma vez, para a terra. E isto, como dissemos anteriormente, a natureza sempre quer produzir deste modo.
ARISTÓTELES. Meteorológica, 354 b23-32.
Os dois trechos caracterizam formas distintas de conhecimento.
1. IDENTIFIQUE o tipo de conhecimento representado em cada um deles.

2. CARACTERIZE os dois tipos de conhecimento identificados.

A partir desta questão, mostramos a diferença de linguagem dos dois textos, da presença no trecho 1 de figuras sobrenaturais, da ausência das mesmas no trecho 2 e o fato do trecho 1 explicar o mundo de modo transcendente e o trecho 2 de modo imanente.

O que é o homem?





"O que é o homem?
'Sabemos todos', responde Edgar Morin, ' que somos animais da classe dos mamíferos, da ordem dos primatas, da família dos hominídeos, do gênero homo, da espécie sapiens.' Qual é nossa diferença específica? A política (Aristóteles)? A razão (os estóicos)? O riso (Rabelais)? A liberdade (Rousseau)? O trabalho (Marx)? Ainda assim, isso só vale para a espécie, não para o indivíduo. Biologicamente, um ser humano é um ser nascido de um homem e de uma mulher - mesmo que esta ou aquela patologia o privasse de razão ou de liberdade, impedisse-o de trabalhar, de fazer política ou de rir. Filosoficamente, um ser humano é um ser que tem de tornar-se humano, tanto quanto possa. Há muito o que fazer. Homo sapiens é uma espécie animal; humanidade, uma criação cultural. O que é o homem?
'É um ser de uma afetividade intensa e instável, que sorri, ri, chora, um ser ansioso e angustiado, um ser fruidor, ébrio, extasiado, violento, amante, um ser invadido pelo imaginário, um ser que sabe a morte e não pode acreditar nela, um ser que secreta o mito e a magia, um ser possuído pelos espíritos e pelos deuses, um ser que se alimenta de ilusões e de quimeras, um ser subjetivo cujas relações com o mundo objetivo são sempre incertas, um ser submetido ao erro, à errância, um ser úbrico* que produz desordem. E, como chamamos de loucura a conjunção da ilusão, da desmesura, da instabilidade, da incerteza entre real e imaginário, da confusão entre subjetivo e objetivo, do erro, da desordem, somos obrigados a ver que Homo sapiens é Homo demens."
Morin, Edgar - In 'A Filosofia', de André Comte-Sponville, p. 115 -116.
* úbrico = desmedido

Mitologia e Filosofia II

Dando continuidade a aula da primeira semana:

Uma análise de como funciona: 'meta - aula'
Dentro dos 50 minutos de aula, o possível de ser feito motivando os alunos e, portanto, valorizando esta transposição, mitologia para a filosofia, é fundamental 'observar o que os alunos estão observando'. Esta expressão é bastante problemática pois, pressupõe que se possa saber o que eles estão pensando, mas não é este o caso - temos acesso imediato apenas e exclusivamente à nossa própria intenção quando elaboramos o plano de aula e quando agimos criativamente durante a aula. Agora, quanto as intenções e expectativas dos alunos, a tarefa exigiria pré-cognição, pré-monição e mediunidade, coisas impossíveis. Para remediar isso: pergunta-se aos alunos e eles podem expressar suas intenções e expectativas verbalmente do contrário, não é possível o acesso à interioridade dos alunos. Dissemos isso para não termos a ilusão de que conhecer intenções telepaticamente seja possível, isto é presunção ou vaidade. Portanto, 'observar o que o alunos estão observando', está vinculado à capacidade de observar as expressões faciais, as expressões corporais, as expressões verbais e as expressões escritas. Deste modo, temos uma hierarquia teórica de eventos relacionada às reações dos alunos. Há uma habilidade a mais que deve estar contida na caixa de ferramentas: a capacidade de observar tudo ao mesmo tempo e de vários alunos ao mesmo tempo - quanto menos alunos na sala, mais eficaz é esta ferramenta - e ter a capacidade de interpretar todo este 'material humano' com uma crítica cuidadosa.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Mitologia e Filosofia


Nas duas primeiras semanas de aula para os alunos de 1º ano do ensino médio, o tema foi a apresentação da mitologia e da filosofia. Inicialmente disse aos alunos que no caminho para o colégio, com o tempo apertado, o pneu do meu carro furou; tirei o estepe e quando fui pegar o 'macaco' para trocar o pneu, não havia 'macaco'. Deu-me uma suadeira! Mas, para minha salvação, apareceu Pegasus - o cavalo alado, e que me deu uma carona até o colégio, e pude, então, chegar tranqüilo e dar a primeira aula. Quanto ao carro, Pegasus comprometeu-se a ligar para o reboque, que providenciaria a troca do pneu e deixaria o carro na porta do colégio.
Na medida que ia contando esta história, os alunos iam ficando cada vez mais atentos; quando Pegasus entrou na história, ouvi risos e comentários como: "pô achei que era verdade!", "Pegasus não existe, professor!", "professor, conta outra!". Eu contei novamente a história, mas desta vez no lugar de Pegasus, eu coloquei "um taxista, gente boa, que me ajudou". Então, a expressão dos rostos dos alunos mudou.
Conclusão:
Pegasus desqualificou a minha história de ponta-a-ponta, ou seja, minha história soou totalmente falsa, pois ela não é compatível com a realidade. A história com o taxista no lugar de Pegasus, tornou minha história verídica.
2ª A Filosofia desencantou o mundo encantado da mitologia. A Filosofia exige argumentos coerentes e pertinentes. A mitologia utiliza-se de entidades sobrenaturais para explicar as coisas que ocorrem no mundo.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Filosofia



"O homem é um ser sociável do mesmo modo que racional. No entanto, nem sempre pode usufruir de uma companhia agradável e divertida ou conservar o gosto adequado para ela. O homem é também um ser ativo, e esta tendência, bem como as várias necessidades da vida humana, o submete necessariamente aos negócios e às ocupações; todavia, o espírito precisa de algum repouso, já que não pode manter sempre sua inclinação para o cuidado e o trabalho. Parece, pois, que a Natureza indicou um gênero misto de vida como o mais apropriado à raça humana, e que ela secretamente advertiu aos homens de não permi­tirem a nenhuma destas tendências arrastá-los em demasia, de tal modo que os torne incapazes para outras ocupações e entretenimentos. Tolero vossa paixão pela ciência, diz ela, mas fazei com que vossa ciência seja humana de tal modo que possa ter uma relação direta com a ação e a sociedade. Proíbo-vos o pensamento abstruso e as pesquisas pro­fundas; punir-vos-ei severamente pela melancolia que eles introduzem, pela incerteza sem fim na qual vos envolvem e pela fria recepção que vossos supostos descobrimentos encontrarão quando comunicados. Sede um filósofo, mas, no meio de toda vossa filosofia, sede sempre um homem."
Hume, Investigação Sobre o Entendimento Humano - Seção I