quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

"Jonas" de Sellars - II

"No momento do nascimento de Jonas os três estágios já tinham acontecido. Graças a isso, ele se encontrou em condições de enriquecer mais ainda a linguagem de sua comunidade, fazendo-a avançar para uma nova etapa. O ponto de partida está num problema que desperta a curiosidade de Jonas e o motiva a buscar uma explicação. Ao comunicar-se com seus conterrâneos através da linguagem comportamental devidamente enriquecida pelos procedimentos mencionados, Jonas se dá conta de que eles agem com inteligência não só quando estão falando mas também quando estão calados. Para explicar isso, ele faz a suposição de que, nesse último caso, as pessoas devem estar sendo guiadas por alguma entidade interna silenciosa.
Para entender esse tipo de entidade, Jonas utiliza a única coisa que tem à sua disposição: o modelo do comportamento verbal manifesto dessas pessoas. Assim, ele teoriza que, mesmo caladas elas devem estar falando dentro de si mesmas. A essa fala interior ele denomina pensamento, introduzindo assim uma nova expressão teórica na linguagem de sua comunidade. O pensamento é uma entidade teórica porque, embora não corresponda diretamente à descrição de um comportamento linguístico observável, pode ser inferido com base nas descrições do comportamento inteligente das pessoas caladas. Isso permite uma verdadeira revolução na linguagem da comunidade. Por exemplo, a pessoa A observa a pessoa B e pode ter evidência comportamental para dizer: B está pensando que chove. Além disso, a pessoa A pode observar a si mesma e dizer: estou pensando que chove." Paulo Margutti. Revista Mente. Cérebro e Filosofia 9

Um comentário:

www.pedradosertao.blogspot.com disse...

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