domingo, 17 de setembro de 2023

Madrepérola

 Há um desfecho e não um final. Não feliz para todos, mas para muitos está sendo a gloria. Envolta em louros de herois, uma luta foi vencida com muito custo, muitas perdas. Como o conflito é pelo poder, ele não é interrompido ao bel prazer de um dos lados. Claro que não são dois lados, há muitos, o mundo individualista que hoje impera não permite que alguma opinião fique à margem.

   O assunto é política. E ela está no limiar da violência, quase retrocedendo aos tempos imemoriais. E a nova ágora não é interrompida em nenhum momento. E os agentes divulgadores são várias equipes várias redes e todos eles vinculados a vários empresários e a vários libertários. 

     Os vários lados deste conflito, partidos políticos, sindicatos, grupos religiosos ou não, indivíduos solitários, familias, clubes de amigos informais e formais, são compostos por cidadãos que mudam de lado constantemente. Há porém os fixos em cada instância. Quando uma liderança perde, muitos que o apoiavam mudam para outro grupo. 

     Agarrando com unhas e dentes, o grupo ou indivíduo que perde o poder não larga de modo algum a pose, a ostentação, a arrogância, ou a perda do poder foi tão radical que nada sobra, apenas as mãos vazias, um amargor e uma nostalgia que as palavras e nem os gestos dão conta de exprimir.

     Há um outro fator essencial no conflito político: neste mundo globalizado a direita, assim como também a esquerda se globalizam ostensivamente, os indivíduos direitistas e os facistas se elogiam se convidam num reconhecimento internacional e intercontinental. Com dinheiro público e particular. Há uma mistura de instâncias políticas, financeiras e pessoais. Muitas cores tingidas pela globalização. Leon Trotsky escreveu sobre a necessidade de globalizar a revolução pois há trabalhadores pelo mundo afora. Mas, Stalin traindo a revolução russa impediu este movimento ou projeto. Hoje, após 106 anos após a revolução, a globalização do capitalismo chegou aos confins da Patagônia e aos confins da Sibéria sem a resistência organizada devido ao stalinismo. De ponta a ponta assistimos pelo celular as violências causadas pela intolerância planejada dos que querem faturar mais e mais, travestidos da impessoalidade do "mercado". O leque de cores que formam esta madrepérola aparece desde de um assédio machista até a venda criminosa de patrimônio público soberano. Neste fluxo de acontecimentos acelerados, a lei tem um papel fundamental: se todos maculam o ethos o tempo todo, a lei vem limitar com suas multas e prisões. Como se fosse novidade para os incautos, eles bem que desconfiam de seus atos intolerantes e muitas vezes criminosos. Não se pode alegar ignorância num mundo tão informatizado , racionalizado e legalizado. Não tem cabimento alegar o uso do direito de opinião,  quando a opinião negar a lei. A menos que haja um movimento popular que implemente junto ao parlamento mudança na lei ou nas leis.

     Este estado de coisas corrobora a situação do capitalismo no mundo. Do jeito que o capitalismo gosta: a crise fica instalada em todos os cantos da Terra. E a mídia corporativa, em uma obra de arte da logística, tece a trama do pano de fundo que cresce, cresce, cresce em todas as direções: passado, presente e futuro. A ponto do ex-presidente de Israel dizer que é necessário matar os bebês palestinos. Um retorno a Heródes, para evitar que os meninos palestinos dêem a vida para acabar com os judeus. Vê-se que a "vida" vale como uma moeda de troca: ela vale a morte de outro.


sexta-feira, 12 de maio de 2023

O que fazer ou solidão de ancestrais

Na falta do que fazer 

Invento uma hora 

Pra enrolar

Outra pra desenrolar

Invento o outro

Pra me reconhecer

Vejo o outro nascer

E assim, invento o que fazer.


quinta-feira, 11 de maio de 2023

O choro é livre

 Se você está entendendo

Não é poesia

O raciocínio aprisiona a viagem

São regras bem definidas

Que fecham as portas e janelas

Amarram as asas

Comprimem

 Impedem as lágrimas

Ironicamente disse a razão:

"O choro é livre"

De copo em copo

 Sentei-me num bar no mercado

Abri o bloco de notas do celular

Pedi uma cerveja

Já estou na décima

E até agora nenhuma linha,

Dedilho a mesa preocupado

Com a falta de assunto

E, mais um copo.

E assim, de copo em copo,

Vou enchendo o vazio

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Buraco negro

     Seria o buraco de mácula um buraco negro?

quarta-feira, 8 de junho de 2022

O protagonista

 Se por acaso você estivesse diante de uma pessoa sem qualidades, com  poucas habilidades, talvez fosse alguém que passou a vida em branco. Poderia ser chamada de idiota, talvez ignorante. As narrativas não podem ultrapassar o tempo presente assim como não os limites impostos pelas poucas sinapses de quem escreve. Esse é o meu caso. Cabeça pequena, poucos neurônios, poucas sinapses, e muita ilusão. Assim descrito ficou fácil de me identificar: "louro, baixo, moreno alto". Um poço de contradições.

    Mas, era isso que eu queria: ser nada; e, consegui. Precisei atingir a idade de 70 anos para concluir que nunca terei uma ideia nova em filosofia, matemática ou ciências. Apesar de ter sido professor, creio que enganei a todos, a final, só expus meus sentimentos. Se alguém percebeu, deveria ter bastante juizo. 

      Mas, as tarefas continuam! O processo de queima do corpo exige um diligenciamento constante. A menor ação é eliminar a sujeira, a segunda é vestir algo limpo; de preferência uma roupa leve, uma sandália e uma bandana, a terceira ação é limpar o resto; aí sim, a alma fica lavada. Mas, também o tilintar dos talheres se chocando, o barulho da água caindo para tirar o sabão que tira a sujeira, enquanto se pensa em como lavar a alma. A felicidade é o resultado de se lavar a alma, portanto, lavar talheres é um caminho para a felicidade. Como felicidade é ausência de dor, lavar talheres é ausência de dor. Sem metas, regras ou coach, chega-se à felicidade com a simples atitude de lavar talheres que visa tirar sujeiras impregnadas. A falta de uma situação que permita um jogo de linguagem inviabiliza o relacionamento de uma comunidade com outras. Talheres limpos de quem e para quem? Eles foram usados, sem eles se comeria com a mão ?

Este texto é escrito do jeito que vem à cabeça: reverberando a verborreia: um texto detalhoso, ou seja, veio a imagem, uma experiência: vem a escrita tentando detalhar o que sentiu, o que pensou. Prazer ou dor ou indiferença ou algo que fica flutuando em algum lugar da "memória" aguardando ser resgastado.

   É de ficar com medo, pois agora eu vou pegar o que eu paguei pra'aquele menino e vou lançar na planilha. Vou guardar tudo ali e correr com as coisas, pois vou ter que cortar o cabelo.Quando está grande parece "cabelo enstein". Apesar de ser confundido com "o cientista" que traz uma vaidade a mais, seria muito bom. Mas, como quero ficar livre de todas as vaidades, esta não é boa para os meus propósitos. Antes de morrer, meu pai disse: _ que absurdo! Ele expressou algo que sentiu com profundidade, eu estava lá na hora e ouvi com um certo susto, que até hoje me vem a memória. E de vez em quando eu me pergunto, absurdo o quê? Teria ele sentido a proximidade da morte, teria ele tentado evitar, e sem conseguir escapar do túnel da morte? Ou, até tentado avisar a mim: proteja-se!

     Estes são os relâmpagos que vêem sem avisar. Afinal, eles são os própios avisos que gatilham o raciocínio e induzem as mãos e os dedos a escrever. 


quarta-feira, 25 de maio de 2022

Quali

   Quando, sim, no tempo. Não é onde e nem como. Sim, é quando. Quando ocorre a sensaçao é quali. Quando ocorre um pensamento é razão. Portanto, a emoção está mais para quali do que para razao. Vamos ser mais claros: a sensação de ardência nos olhos tem uma causa. Há casos que podem ser algum ácido produzido pelo corpo devido a diabetes, cebola, pimenta etc. Mas, e a emoção? Ela também é uma sensação?
   Estas são algumas aporias que podem apontar para alguma investigação. E aí fica a pergunta: para que pensar em coisas destas? Não é melhor viver a vida ignorando este pedacinho de eventos? São coisas muito pequenas que ocorrem o tempo todo com todo mundo . 
   Quali vem de qualidade. É assim para se diferenciar de quanti de quantidade. Afinal, é complicado quantificar uma sensação. Quanto dói o dente? Quanto é o amor? Quanto é a saudade? Diferentemente, foram 48 horas de espera, e foi angustiante; quanti e quali. Essa é uma boa tentativa: 48 horas de espera dimensionam a angústia da espera?
   Mas, a atitude diligente de se livrar deste tipo de problema é pragmática, ou seja, não há como resolver e muito menos transformar em um item de preocupação a quantificação das quali nas vidas. Mas, o que resolve isto é a ação: onde dói? se apertar a dor aumenta? Aperta-se até ouvir um "ai".
     Lá na ponta, no primeiro neurônio do dedo da mão há um gatilho que possibilita o surgimento de uma sensação. Esse gatilho dá origem a uma sinapse que é um impulso elétrico que caminhará pelo sistema nervoso até o cérebro e que sinalizará uma quali que será traduzida como "ai".
     É corrente no linguajar dos amantes que a paixão é irracional. De fato quem trata deste assunto são os não amantes. Aqueles que nunca se apaixonaram e os que já se apaixonaram e que atualmente estão sem esta emoção por alguém. Porque se esta paixão for por coisas ou vegetais ou animais não humanos, a denominação é outra: gostar muito, vício. Não é adequada a paixão por uma pedra ou por peixe.
     A paixão é uma emoção que, de imediato, não tem nenhuma reação sensível, ela é mediatizada pelo sentimento.
     A morte chega, as vezes sem avisar, mas ela sempre chega e encerra todas possibilidades dos qualis existirem. De fato, acabam-se as experiências. Em consequencia poderia se afirmar que acabam as razões?