sábado, 28 de agosto de 2010
O tempo
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Matrix e a Filosofia
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Choque de gerações
Atualmente, esta conceituação atende com bastante eficácia à mídia. Do mesmo modo que os meios de comunicação reforçam a caracterização da geração, eles inventam qualidades e vontades para atenderem aos fabricantes dos produtos que serão consumidos pela referida geração. Claro que há pesquisas, apesar de não muito detalhadas e muitas vezes superficialmente citadas, como por exemplo: “pesquisadores americanos constataram que não são apenas os jovens entre 15 e 25 anos que consomem hambúrguer, ele é consumido, também, na mesma quantidade pelas pessoas que tem entre 30 e 40 anos, por isso os fabricantes de hambúrguer estão investindo bastante para entender melhor o perfil das pessoas desta faixa etária para atendê-los melhor. ”Veja, esta pesquisa foi citada numa reportagem sobre alimentação numa revista de entretenimento sem citar a fonte da pesquisa, portanto, sem cunho científico. Se a pesquisa é ou não verdadeira não vem ao caso, o que importa é que ela é, de fato, uma propaganda velada, ela informa e ao mesmo tempo procura induzir o consumo de hambúrguer incluindo uma geração inteira de consumidores. É como se dissessem: homens e mulheres entre 30 e 40 anos estão, a partir de agora, autorizados a comer hambúrguer, ou, a “geração dos anos 80” come hambúrguer, você já comeu o seu hoje?
A faixa etária sendo dividida de 10 em 10 anos facilita a vida dos marqueteiros: é bem pedagógico e fácil das pessoas se localizarem. Diz-se, por exemplo: “o rock dos anos 80 era diferente do rock que se fez na década dos anos 90, e a roupa que se usava era assim e assado”, ou, “a geração dos anos 70 era hippie, tinha um som mais psicodélico, usava-se uma roupa mais leve”. Hoje, fala-se na geração internet: todos baixam tudo e desbloqueiam quebrando a senha dos programas, dos jogos e dos filmes, e as gerações anteriores dizem que fazer isso é ilícito.
A tentativa de enquadrar em gerações pode causar algum estranhamento nas pessoas que viveram tal época em tal idade, pois, as coloca como ultrapassadas, já estariam fora de moda. É um desprestígio a uma ou outra geração não ter vivido nesta ou naquela outra geração. Quem viveu, por exemplo, o período da ditadura militar, década de 70, hoje diz que nesta época havia engajamento político e que os jovens de hoje estão perdidos, pois, não gostam de política.
Esta caracterização, “geração pós-guerra”, teve seus motivos na Europa e nos Estados Unidos. Já o Brasil não teve tantos motivos que motivassem alguém a chamar seus filhos de geração pós-guerra. E quem é a “geração coca-cola”? Seríamos todos nós que bebemos coca-cola? Então, são várias gerações que surgiram após a invenção da coca-cola.
Gerações e gerações são modos que o senso comum brinca de achar que entende o que está se passando. A tradição de uma sociedade está muita mais vinculada a sua cultura, a sua língua e aos modos como lida com o mundo do que a uma simples conceituação pretensamente explicadora e reguladora como “geração”. As mudanças ocorrem, mas, não na velocidade e decenalmente como o conceito “geração” pretende indicar. E, algumas vezes, uma invenção ou descoberta pode levar a uma mudança em menos tempo que dez anos. E mesmo assim não indica que houve um avanço social ou cultural. Pode ter havido até um retrocesso. Quem se deleita com o conceito “geração” é o mercado de capitais que manipula facilmente as faixas etárias através de suas peças de marketing para obter os lucros que tanto necessita. Marketing este planejado ano a ano em função de estatísticas e tecnologias da informação que traduzem os perfis e hábitos dos consumidores.
Para clarear um pouco mais esta idéia, veja o mundo das cores aplicado à moda: o vermelho é para os jovens, pois eles estão no viço da idade, e esta cor traduz bem os seus incontroláveis impulsos. Já para uma pessoa de 50 anos cai bem um creme, um cinza, cores mais sóbrias. Ironizando: talvez porque nesta idade a pessoa já esteja com a cor da pele um pouco cinza ou um tanto quanto desbotada ou manchada e seus impulsos sejam cinza. E que cor cairia bem para quem tem 30 ou 40 anos?
quinta-feira, 18 de março de 2010
Segunda aula - 22/03/2010
1º - Aspectos da Mitologia que influenciaram no surgimento da Filosofia. No Conteúdo Programático do vestibular UFMG, este tema é abordado nos tópicos: Origem existencial e Origem histórica da Filosofia.
a - Origem histórica: são fatos históricos que determinaram uma mudança na visão de mundo do povo grego no período de 1200 a 350 a. C. Alguns fatores se destacam:
quarta-feira, 3 de março de 2010
Primeira aula - 08/03/2010
1º - A Filosofia na obra de Clarice Lispector
Texto:” Olhe para todos a seu redor” contido no livro “Uma Aprendizagem ou Pequeno livro dos prazeres.”
2º - Análise de três propagandas
. Propaganda da Citroen
. Propaganda da Sadia
. Propaganda “Money” e Making off da DM9
3º - Debate e Produção Escrita sobre o tema da aula
Texto:
“Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia…”
Texto:” Olhe para todos a seu redor” contido no livro “Uma Aprendizagem ou Pequeno livro dos prazeres.”
Filosofia - 3º Integrado
Tema da aula: Filosofia para quem?
Subtemas:
. Filosofia para todos (Recurso: http://www.youtube.com/watch?v=ncTTkksPBm4)
. Conversando consigo mesmo (Recurso: http://www.youtube.com/watch?
v=mAWpQx925qo&feature=related)
. Sonho de Consumo (Recurso: http://www.youtube.com/watch?v=PJP4xtt44sQ)
Aula expositiva e debate.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Do Contrato Social - Rousseau

Análise: A reflexão racional filosófica surge quando há um problema de âmbito genérico que algum filósofo sente necessidade de resolver. De alguma forma, este filósofo identificou o problema, aprofundou sua reflexão e foi motivado a resolvê-lo. Não há como saber precisamente, ou às vezes nunca se saberá o que o deixou curioso e motivado que o fez se mover em relação ao problema, a menos que, o filósofo anuncie porque ficou motivado. O filósofo Immanuel Kant, por exemplo, disse que foi despertado de seu sono dogmático pelo filósofo cético e empirista David Hume e por isso foi motivado a escrever o livro “Crítica da Razão Pura”. Na maioria das vezes, vários filósofos pensam dentro de uma linha filosófica e debatem sobre os conflitos que ela apresenta e ficam motivados a resolver estes conflitos. Rousseau foi influenciado por Maquiavel, Montesquieu, Diderot, Hobbes e Locke. É assim que se dá a História da Filosofia: há um debate permanente entre os filósofos de sua época e também de épocas anteriores. O cuidado deve ser redobrado quando um filósofo contemporâneo debate com filósofos da Modernidade ou da Antigüidade, pois, as visões de mundo são diferentes.
Introdução do Livro Primeiro: Rousseau anuncia o problema que irá desenvolver nos capítulos deste livro. Ele procura um critério legítimo e seguro que possa permitir a conjugação adeqüada no mundo público, que ele chama de "ordem civil", entre os interesses dos homens e a lei. Ele faz isso na qualidade de cidadão, não de príncipe e nem de legislador. Ao dizer que entra no assunto sem demonstrar, ele está anunciando que dá sua sugestão não por mero delírio, ou por um desejo, ou por algum interesse pessoal, ou por contestação simples e inconseqüente. Ele quer dizer que irá demonstrar no desenvolvimento do Livro.
É importante observar que Rousseau toma um problema genérico que acredita ser de interesse de todos os homens que é o trato da coisa pública; analisa, utilizando a crítica; e diz que irá argumentar racionalmente pois irá demonstrar o que anunciou. Este modo com o qual ele se expressou implica num resultado objetivo e não subjetivo, ou seja, não é uma mera opinião, é uma opinião que ele espera ser tomada como verdadeira por todos os homens. Pelo tema ser geral, por ser de interesse dos cidadãos, por usar de argumentos demonstrativos e por ser objetivo, Rousseau, neste livro, faz Filosofia Política.
Capítulo I Rousseau mostra qual é o problema efetivo: o homem nasce livre e por toda a parte está a ferros (acorrentado). Qual é a razão disso estar acontecendo? Se a ordem social, como ele diz, é um direito sagrado, ela não deve ter sido legitimada pela força, pois, o homem em seu estado de natureza é livre, diante das correntes ele se rebelaria. E por que ele não se rebela? Porque a legitimação foi feita por convenção e não pela força.
Capítulo II Ao fazer a analogia de um povo com a família, Rousseau mostra que o pai cuida dos filhos por amor, mas, o chefe que está numa posição similar, não cuida de seu povo, pois, a eles não tem amor, ele tem é prazer de mandar. Citanto os argumentos de Hugo Grotius, jurista holandês que viveu de 1583 a 1645, e que justificou o poder dos tiranos pelo fato de haver escravos, Rousseau conclui que Grotius pensa assim porque ele toma o gênero humano pertencendo a cem homens, logo, estes homens seriam superiores aos demais. O que justificaria esta superioridade é o fato deles serem deuses ou então o fato dos demais homens serem animais. Quanto ao resultado desta relação, Rousseau concorda com todos os que pensaram assim, Aristóteles, Calígula, Grotius e Hobbes: a escravidão existe, e é fato, não há como negá-la, mas, foi a força que produziu a escravidão e não uma condição natural. Mas, Rousseau discorda de todos eles, porque eles tomaram o efeito pela causa.
[Qual é o raciocínio? Como não era possível saber se houve ou não um primeiro escravo, Aristóteles, para justificar a exclusiva cidadania dos homens adultos, ricos e livres, assumiu que a escravidão sempre existiu, e para justificar a escravidão disse que o escravo é escravo por natureza, ou seja, ele já nasce escravo. Este argumento de Aristóteles se estendeu também para as mulheres. Veja a citação: "Aristóteles afirma em 1235 b 10 que existem homens que são escravos por natureza, ou seja, por exigência e vocação da sua própria alma. O escravo não tem capacidade de decisão nem (ao contrário das mulheres) de deliberação, pelo que não consegue agir senão sob a direcção de outro homem. É então do interesse do próprio escravo ser escravo. Contudo, como o próprio Aristóteles reconhece, permanece o problema de, por vezes, a natureza enganar-se. Há almas de escravos em corpos de homens livres e vice-versa." (Ricardo Justino, Universidade de Coimbra)]
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