sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Pragmatismo

Pragmatismo

   "O pragmatismo é uma espécie de ponto médio, colocado entre duas correntes filosóficas mais ou menos bem delineadas. De um lado, a filosofia especulativa, própria de vultos como Whitehead, Bergson e Croce; de outro, o pensamento voltado para as minúcias, o "rendilhado filosófico", próprio de um Moore ou de um Wittgenstein. O pragmatismo situa-se entre os vôos mais arrojados da metafísica e os mots justes dos lógicos.
  Em verdade, o próprio (William) James deixa pintada a situação, ao distinguir os pensadores tender-minded dos pensadores tough-minded, ou seja, os filósofos que se caracterizam como intelectualistas, otimistas, idealistas, religiosos, dogmáticos e racionalistas (que se guiam por "princípios") dos filósofos que seriam pessimistas, fatalistas, a-religiosos, céticos, pluralistas, materialistas e empiristas (que se guiam por "fatos"). O pragmatismo, segundo James, constituiria ponto intermediário aceitável, sendo uma corrente de idéias destinada a satisfazer adeptos das duas posições externadas - não deixando de lado a religião, mas nunca perdendo de vista "os fatos" e, assim, evitando os excessos do rígido pensar científico.
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Pragmatismo, em linhas gerais, pode ser entendido como tentativa do esclarecimento das ideias.
Esta, aliás, a sua maior contribuição para a filosofia contemporânea: procurar conduzir para o terreno da análise filosófica as técnicas de investigação experimental, típica da física e da biologia.
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Erra, portanto, Bacon, ao sustentar que o conhecimento deriva da experiência, entendendo-a em termos de sensações distintas, sem cogitar do papel que o espírito desempenha na atividade preliminar de seleção, comparação e discriminação. Os dados da ciência não são "oferecidos" ao espírito receptivo (e passivo), mas são encarados sob um prisma peculiar em que não é pequena a intervenção do controle e da análise experimental.
    De outra parte, erra Descartes, quando sustenta que o conhecimento consiste apenas de ideias "claras", pois isso tornariam legítimas as conclusões obtidas pelo espírito atento,sem que para sua validade contribuísse o teste empírico - umacoisa é a clareza das ideias e outra coisa é a validade dessas ideias." (PEIRCE, Charles, Sanders, Semiótica e Filosofia , Textos escolhidos, Editora: USP, 1975, p. 20)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A ignorância

    Ignorância, substantivo pomposo, é um conceito que não deveria ter nenhum objeto ao qual indicar. Mas, hoje, novembro de 2016, com o resultado das eleições percebe-se que não há outro substantivo possível para tal fenômeno. As pessoas ignoram o que aconteceu nos últimos anos. Houve um trabalho ardiloso e permanente, um plano bem planejado e bem executado, regado a muito dinheiro. Aparentemente levaram ao solo a classe operária. Mas, parece que ela nem sabe disso, parece estar a ver novela, futebol e master chefe. Mas, uma coisa todos nós sabemos: trabalhar bastante para ganhar o dia-a-dia. E como há dias, eles não param de vir assim como o dinheiro não para de entrar nos bolsos dos não operários. São poucos e são ditos aqueles que dão empregos para operários; sem eles, nada ocorreria, afinal colocaram em risco todo o seu dinheiro, alguns alegam ser dinheiro de tantos anos de luta da família, Há alguma verdade nisto, mas muitos, a maioria, veio das sesmarias e de invasão e posse de terras. Poucos são de fato os fundadores. Mas, nem isto justifica o capitalismo; este é um regime econômico perverso, que se baseia em dois fatos que ele promete trazer em seu bojo, mas não entrega: livre concorrência e progresso. Talvez possa se dizer que progresso ocorre na vida dos capitalistas adquirindo patrimônio cada vez maior, numa situação melhor pode-se aplicar em erudição para si e família. Quanto a livre concorrência, nada tão violenta quanto uma briga de foice entre empresas: não há regras e nem ética. Agem para faturar mais, esperam, desta forma, aumentar também os lucros. Há escolas particulares que procuram nas regras do ENEM, por exemplo, brechas para encaixarem os seus resultados num tópico ou outro que lhes favoreçam e possam ser consideradas as melhores. O intuito disto não é mostrar ou fazer a melhor educação de fato, e sim, fidelizar seus alunos e aumentar o número de matrículas, ou a fila de espera para matrícula. Há uma crença que fundamenta este procedimento, além da manutenção do emprego e de manutenção ou aumento dos lucros; é a crença de que no mundo vence o mais forte, custe o que custar, agindo por qualquer método. Isto também é chamado de capitalismo selvagem, e os capitalistas sempre utilizam o argumento biológico darwiniano para fundamentar suas atitudes: a lei do mais forte, do mais apto.
    Claro que os fundamentos do capitalismo não são as promessas que os capitalistas fazem - livre concorrência e progresso -; estas são apenas peças de retórica para convencimento e adequação dos espíritos ávidos para venderem sua força de trabalho ao primeiro patrão que lhe abre as portas. O lucro é o fundamento. Claro é que esta é outra máscara, além da retórica de sedução. "Sair no lucro é coisa boa." Esta é mais uma expressão que ilude os incautos. A mais valia é que é de fato o fundamento do capitalismo. Pelas "leis do mercado", o preço de algum produto é estabelecido pelo mercado. E na verdade, este preço é estabelecido pelos custos calculados na ponta do lápis de modo que se minimize ao máximo os custos. Como os produtos primários são produtos de outros capitalistas, há limite para reduzir seus custos, que pressupõe a mais valia deles já embutidos. Portanto, a redução de custos cai sobre os ombros do "trabalhador em geral." Este significa o salário médio  de todos os trabalhadores. O salário mínimo tem como referência este salário médio. Quando entra um governo como o atual, procura-se achatar ao máximo possível o salário mínimo de modo a permitir um aumento considerável de lucro, no final das contas, um aumento da mais-valia.
     

domingo, 16 de outubro de 2016

Moto continuo

Minha teoria é a de que existe um modo de vida que predomina nas sociedades em geral na qual os cidadãos patinam no mesmo lugar. O que isso significa? É confortável ficar desfrutando permanentemente daquilo que nos sustenta, desde que nos sustente por um período no qual há um trabalho a ser feito. Faxina, chofer, taxi, carregador de caixas e de sacos de cimento; isto só para falar das profissões de baixa remuneração. As demais profissões, dependendo dos salários, são mais imutáveis. Estes ofícios sustentam não só o corpo e os corpos, mas, também sustentam ideias e visões de mundo. Mas, apesar deste meu discurso ter uma pretensão de universalidade há dissonâncias e perda de elasticidade nos raciocínios. Pois então vejamos: as pessoas em geral não perdem os seus empregos todas de uma vez, uma perde aqui outra perde ali um pouco mais tarde e em outros lugares.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Servir

   Há muitos textos de auto ajuda sobre o conceito "servir". O tom de cada um deles resvala em todos as situações que nós humanos passamos durante a vida. A situação mais confortável é a da pessoa velha: se ela está disposta a falar sobre o assunto, ela tem muita coisa para contar e aconselhar. Eu só estou com 59 anos, portanto eu ainda tenho muito para viver para depois contar. Do que eu já vivi, aprendi que temos que fazer uma adaptação e uma atualização a partir de algumas filosofias.
   Inicialmente falemos de Sócrates: serviu o tempo todo como debatedor para o esclarecimento dos conceitos que acabava de inventar. Inclusive antes dele não existiam os conceitos. Claro, já existiam substantivos singulares, mas não havia o conceito geral. Por exemplo: esta vasilha vermelha existia, mas, não existia a vasilha como termo geral abstrato. Sócrates perguntou ao general o que é justiça, o general respondeu com um lista de situações de infração e as penas correspondentes. Ele não definiu o que é justiça. Sócrates foi inventor desta chamada definição; ele inventou o dicionário. Seus discípulos Platão e Aristóteles partiram da "definição" para inventar a "ideia" (Platão) e a "substância" (Aristóteles).
   Servir é dar ao outro o que ele precisa. Seria esta uma boa definição do conceito "servir"? Fazendo como fez Sócrates, porém sem a sua genialidade, e se o outro for orgulhoso e se recusar a receber, como fica a definição? Pelo jeito ela não funciona, pois o outro não recebe aquilo que se pretendeu dar.

   Após 5 anos e 5 meses volto a postar neste meu blog. Creio que eu possa falar algumas coisas que me incomodam: 
1º A partir deste mês, outubro de 2016, decretamos a nossa (enquanto país) disposição em dar às multinacionais aquilo que mais elas queriam: a exploração do petróleo do pré-sal sem a interferência e nem a presença da Petrobrás. Se pensarmos em termos numéricos, foi uma vitória esmagadora desta doação: 292 a favor e 101 contra. A soberania brasileira está restrita aos seus consumidores: somos soberanos porque somos o pais que mais consome no mundo.

2º A turma que governa o país está feliz porque faz tudo o que quer sem opositores, apenas com muitas opiniões contrárias. Mas, o que são opiniões, numa democracia todos podemos discordar.

3º A esquerda brasileira está apática. Eu como pobre que sou, me considero de esquerda pois não possuo os meios de produção e não exploro o trabalho de nenhuma outra pessoa. Incluo-me portanto neste qualificativo: apático. Hoje, após as eleições municipais, resolvi me expressar politicamente. Admito que esta participação é muito, mas muito tímida. 

4º Eu li a lista dos deputados que votaram contra e os que votaram a favor a exploração do petróleo pelas multinacionais e não era para eu me surpreender: Eros Biondini, Luis Tibé e Marcelo Álvaro Dias Deputados Federais por Minas Gerais, votaram a favor. Os três foram candidatos a prefeito de Belo Horizonte. O que se haveria de esperar, os três votaram pelo impeachment da Dilma!

5º Alguém poderia dizer: - esta é a política meu caro! Mas, eu responderia: - não meu caro, esta é a politicagem. E ela o é porque nada a legitima. Tanto o impeachment quanto esta doação do pré-sal foi mágica: a mágica do dinheiro que Marx pontuou tão bem. 

6º Como será oficializado a escola sem partido? E como será regulado? Os próprios alunos e seus pais farão esta fiscalização. Claro, como sempre ocorre, principalmente nas escolas particulares, mas também em grande número nas escolas públicas, aqueles cargos que "recebem bem" coordenação, supervisão e direção. Hoje esta turma de profissionais, que são considerados parte da escola, são chamados gestores. A diferença com o título anterior está em mais uma ferramenta "pedagógica", as TIC's (Tecnologias de informação e comunicação).

O saber além do sabor

 Sabe-se algo a partir de uma situação pré existente. Se eu não me engano, foi num texto ou livro de Humberto Maturana onde ele fala que os índios não enxergavam os navios de Cristovão Colombo mesmo quando haviam ultrapassado a linha do horizonte. Precisou do xamã perceber inicialmente as nuances diferentes das ondas, para depois perceber que havia algo que as causava, para então enxergar os navios. E posteriormente convencer aos demais da existência deles em alto mar. Sabe se que num estudo de antropologia, várias tribos indígenas não sabiam traduzir um desenho em perspectiva tridimensional no plano num figura concreta tridimensional. Por exemplo a figura de cubo e o próprio cubo. clique nesta palavra para ver um vídeo sobre o que estou falando:
    Além do sabor podemos dizer, pensar e saborear.

O alimento

A questão sobre o alimento é o mau hábito alimentar adquirido na infância e na adolescência. Quando menos se percebe, as doenças começam a aparecer e as vezes não há tempo e nem como corrigir mais. Por isso os remédios. Mas não há nada como uma boa alimentação. Ela tem como consequência uma boa digestão, uma boa distribuição de proteínas e carboidratos, um bom metabolismo. O bom alimento exige de todos os órgãos do corpo, todos funcionam adequadamente. Claro que, o cérebro agradece plenamente.   Sem glicose, o cérebro não pensa. Pois bem, me alimentei muito mal durante todos estes anos. Eu acreditava que o mal só acontece com os outros. Hoje, 2016, sou um sobrevivente, pois, tive um câncer no intestino grosso. Disse a medicina que é hereditário, alguns familiares já tiveram pólipos e início de câncer. Não se sabe perfeitamente, mas, parece-me que meu avô morreu de câncer no intestino. No meu caso, a situação não estava nada boa. Não fora a doutora Rosângela insistir com o médico cirurgião nada tinha sido feito. Eu teria morrido lá naquela época, 2012. Mas, a competência irretocável dos médicos que me operaram foi a minha salvação. Claro, a família toda orando, desejando tudo de bom e de melhor para mim. Após 30 sessões de quimioterapia e 21 injeção anticoagulante, fui dado como a caminho de um processo de possível cura. Por enquanto, estamos caminhando bem, tomando todo o cuidado possível. Raramente bebo cerveja, e aumentei o consumo de verdura, legume e fruta. Carne vermelha, no máximo uma vez ao mês.

O quiabo, ora pro nobis

Frango com quiabo é muito bom, invade o mundo das sensações e arranca bons juízos. Eu plantei um pé de ora pro nobis no meu jardim. Ele cresce timidamente. A impressão que tenho é que ele precisa de mais sol. Ele ficou num lugar de muita sombra. Mas, quando dá pra crescer tem que podar bastante se não invade o espaço das outras plantas.